18.3.13

Vampiro contemporâneo



Olá pessoal. Saindo momentaneamente do ritmo das postagens anteriores – nesta oportunidade irei trazer a primeira parte de um conto sobre os vampiros – nada mais atual, penso.


Os passos vagarosos, errantes, diria até mesmo sem convicção – denunciavam de pronto mais um insucesso. A vasta bibliografia acerca dos vampiros, bem como as produções hollywoodianas sempre apontaram como defeitos fatais o crucifixo e a exposição à luz solar. Equivocaram-se! Nada há de tão penoso para um vampiro do que ter os dentes avariados!
___ Isso de ser vampiro em terceiro mundo é revoltante! Não consigo pagar um simples implante dentário (bradava William).
Com efeito, o cotidiano de William estava repleto de percalços não listados e não conhecidos até mesmo pelas abundantes obras literárias que tratam dessa temática. Aflições – eminentemente prosaicas – para um vampiro de alto gabarito. Não se espante meu caro leitor – as diferenças sociais entre os mortos-vivos ultrapassam folgadamente as misérias dos vivos.
Entretanto, para William – esses pormenores implicavam em obstáculos que o impediam de gozar em toda plenitude seu estado vampiresco.
Que o leitor seja paciente! Desvendar o universo de seres sobrenaturais é tarefa das mais árduas e ingratas – mas avancemos!
Por certo, o trabalho extenuante não se enquadrava nas prioridades de William. Que não se interprete esta afirmação como um reconhecimento de sua vagabundagem, ociosidade ou acídia – preferindo o leitor a utilização de um sinônimo mais elaborado e abrangente! Trabalho e William eram duas realidades opostas, mas contrariando o cânone cientifico e o adágio popular de que os opostos se atraem William continuava sem uma ocupação.
A situação cruel do “não” se repetia em todas as tentativas. Inexplicavelmente William era dispensado das entrevistas após o singelo comentário:
---- Sei caçar lobisomens; beber sangue das pessoas e dormir em caixões e não tenho nenhuma disponibilidade para trabalhar de manhã e à tarde.
Não sei em relação aos nobres leitores – mas eu o admitiria de imediato! Numa época em que há carência de pessoal especializado nunca se sabe em que momento se encontrará um lobisomem, não? Sem falar que ultimamente não se encontra essa capacitação tão especial nos currículos.
A rotina – após a negativa de emprego – é baseada num procedimento todo metódico, ordenado.
Inicialmente entra em cena o império da teimosia. É de se elogiar a persistência em quase todos os aspectos da vida (no caso do William da morte). Entretanto, ignorar por completo uma dor de dente nunca resulta em bom presságio.
Avançava abruptamente sobre qualquer pedestre que avistava. O cumprimento não era por certo nada convencional. Marcar seus dentes em pescoço alheio era o primeiro alicerce de sua programação.
Consequentemente o complemento dessa abordagem sempre se traduzia em problemas policiais. Explico-me. O leitor facilmente se lembrará de alguma dor de dente angustiante – que necessitou da interferência de um especialista. O caso de William era o mesmo. O quê o difere dos teimosos habituais é a sua sede por sangue!
Como a maioria de seus dentes estava defeituosa – a nobre arte de extrair sangue dos pescoços ficou inteiramente prejudicada. De quando em quando – até conseguia deixar microscópicos furos em suas vitimas – mas sempre era tomado por um tarado! Fato vil para um vampiro de tão alta estirpe.  Se for do interesse do leitor – William é bem famoso nas delegacias de policia – com diversos retratados falados – e a alcunha de “tarado das dentadas” passou a ser parte indissociável de seu ser após os reiterados ataques.
A terceira etapa de seu empreendimento consistia num verdadeiro transferidor de ira. Posteriormente as perseguições de praxe pela policia e de alguns caminhantes voluntariosos – William se predispunha a caçar o inimigo mortal de sua raça: os lobisomens. Haverá maneira mais fácil e ágil de descarregar a raiva e se enaltecer?
Imagino que por essa quadra do relato o leitor mais caridoso e benevolente esteja consternado e aflito. Afinal, se é essa a rotina de William – como conseguirá o vampiro obter mínima energia para guerrear com os lobisomens?
Acalme o seu coração estimado leitor! É bem verdade que não é nada desejável entrar em guerra com seu arquirrival estando faminto, mas o que de pior poderia acontecer a quem não se alimenta é a morte – e deste mal ele era ileso (ser vampiro tem lá suas vantagens).

Até a próxima.

14 comentários:

  1. oi pessoal,
    adorei o conto, gosto muito de vampiros então gostei de ler esta 'versão'.
    Obrigada pelo carinho, também estou seguindo aqui.
    boa semana
    ;*

    www.redbehavior.com

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  2. Bem legal o texto! =D

    Primeira vez que venho aqui e se seguir/curtir a fã page/blog, me avisa que faço o mesmo aqui! =*

    Blog: www.kaahmenezes.wordpress.com
    Fã page: www.facebook.com/pages/Kaah-Menezes/146488652178125

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  3. Amei o conto *-*
    vestindo-ideias.blogspot.com.br

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  4. Adorei o conto! E o tema já é um dos meus favoritos!

    Beijos!!

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  5. O conto é de sua autoria? :)
    beijos

    www.izabellagrimaldi.com
    Curte a página no facebook,por favor? *-*
    https://www.facebook.com/pages/Blog-Izabella-Grimaldi/387926887971592

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    1. É sim. Gosto muito do universo dos vampiros - tentando criar uma versão mais leve (por assim dizer)

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  6. Muito show o texto! :D
    Beijos e tenha uma ótima semana!

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  7. Ah vou mostrar esse conto para um amiga minha que ama vampiros, ela vai gostar e muito. Bjoooooooo!

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  8. Adorei aprimeira parte, to ansiosa pra ver as demais! Muito bom o texto.
    cantiinhodabia.blogspot.com.br

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  9. Se o conto seguir nessa linha, vai ficar SUPER legal! :D

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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  10. Amei o texto. E ri com "vampiro de alto gabarito". rs
    Bj

    Rivanda
    somimo.blogspot.com.br

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  11. Como sempre genial! Abraço meu amigo!

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  12. Sou seu FÃ! Genial como sempre! Abraço.

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  13. Como sempre genial! Abraço meu amigo!

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