11.4.13

Vampiro Contemporâneo II



O embate envolvendo vampiros e lobisomens é atemporal. Talvez o leitor se questione quais os reais fatores que embasam tal rivalidade – indagação que permanece sem uma resposta satisfatória – devido ao grande número de teorias existentes. Algumas hipóteses poderiam ser dadas, tais como, ocupação territorial, quem sabe os dois agrupamentos só quisessem reafirmar as peculiaridades de seus clãs, ou qualquer outro motivo menos ortodoxo e mais casual – como um possível incômodo dos vampiros com os pelos exacerbados dos lobisomens e que estes, por sua vez, não tolerassem aquela transformação bizarra em simples morcegos. Sim meu estimado leitor – houve um tempo (longínquo por certo) em que os vampiros se convertiam em morcegos ao término de seus feitos e ignoravam por completo ostentar uma aparência de eterno colegial!
Independentemente das especulações formuladas não se pode negar o óbvio. A hostilidade multissecular existia e permanece atualmente! Sendo motivo muito meritório um vampiro se gabar quando um lobisomem tombava por suas mãos. Portanto, em William não se poderia encontrar ambição diferente!
É sabido –  novidade para o leitor de um ranking atualizado sobre os vampiros mais promissores e versados na arte de caçar lobisomens. Ranking esse que foi severamente prejudicado – por um acontecimento catastrófico (os livros de autoajuda e o quase extermínio dos lobisomens).
Antes de prosseguirmos – que o leitor me permita um aparte. É consolador visualizar as implicações da lei de Murphy também sobre seres mais evoluídos como os vampiros. Além  dos infortúnios de seus dentes, o desemprego, a sede incurável por sangue (que não podia ser saciada por motivos já conhecidos) e os problemas recorrentes com as autoridades policiais – William enfrentava algo até pouco tempo improvável – a cura dos seus inimigos mortais.
Enfrentemos o caso. De alguns anos para cá – as obras de autoajuda se multiplicaram consideravelmente. O quê tal constatação tem a ver com lobisomens e vampiros? Um adiantamento da resposta pode ser dado com outro questionamento: O leitor já considerou o impacto de livros de autoajuda sobre os lobisomens? Nunca pensou a respeito? Pois é bom começar.
Ocorre que um desses livros que alcançou estrondoso sucesso de tiragens foi o volume “Como deixar de ser um lobisomem em 10 dias com o pensamento positivo” – desnivelou inteiramente uma rivalidade histórica, efeito equivalente à revolução copernicana. Dizem que tal obra foi escrita por um vampiro moderno – desses que passava mais o tempo frequentando escolas aqui e acolá (que maneira brilhante de ocultar a identidade, pois não)? do que caçando vitimas para aplacar seu desejo por sangue. Não se sabe se a informação da autoria procede – mas o tino comercial há de ser reconhecido – títulos com objetivos a serem perseguidos com metas como, cinco, dez, quinze dias – tem um apelo comercial inimaginável.

Os preceitos da referida obra – em síntese – defendiam que era plenamente possível deixar de ser um lobisomem – repetindo incontáveis vezes o seguinte mantra “não quero ficar uivando sob a lua, não quero ficar uivando sob a lua...”. Penso mesmo – discordando da especulação da autoria retratada acima – que o autor do livro era simplesmente uma pessoa vizinha de um lobisomem – que não conseguia repousar tranquilamente com toda aquela demonstração de afeto pela lua!
Em pouquíssimo tempo o efeito da cura se espalhou! Os índices de batalha entre lobisomens e vampiros praticamente zerou! Com a força do pensamento positivo – praticamente a totalidade dos lobisomens eram tão somente humanos agora! De quando em quando algum exagerava – e teimava que com sua fortíssima convicção poderia até alçar voo! Idiotice sem tamanho meu caro leitor. Se nem mesmo os lobisomens voam (não consta nenhum livro de autoajuda até o momento nesse sentido).
Por certo, com tal situação – o desespero de William era evidente! Contra quem guerrear?
___ Isso é um preconceito contra os vampiros! Está certo que os uivos eram irritantes, poderiam em algumas ocasiões aparar todo aquele pêlo, mas e agora? contra quem guerrear?!
A jornada não teve bom êxito por tempo relevante. Uma vez que os lobisomens se tornavam simples seres humanos não havia maneira para modificar a situação. A única escapatória – era se deparar com algum leitor do livro de autoajuda antes que o mesmo completasse os dez dias de tratamento intensificado. Chance bem rara – e como o nosso estimado William não é lá muito sortudo – a busca continuou, continuou, continuou...
Entretanto, como a paciência é virtude seguida em regra pelos vampiros (suspeito que a certeza de ser praticamente imortal contribua para isso) os frutos da espera deram resultados. Um lobisomem ainda em processo de transformação (oito dias de leitura) fora encontrado numa localização não muito distante. Ainda não sabia maiores detalhes – mas em tempos de império do livro de autoajuda  - qualquer informação valeria a pena ser avaliada. Cronômetros disparados. William teria dois dias para algo bem incomum nas lendas e mitos sobre os vampiros: convencer um lobisomem sobre sua própria identidade e evitar assim sua transformação.

(Conto de autoria própria)


Até a próxima.

Vitor Hugo.












4 comentários:

  1. Já estava ansiosa pra ler a segunda parte, muito bom!!
    Beijos,
    Cantiinho da Bia

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  2. adorei o texto
    na boa eu gosto de seres sobrenaturais, se bem descritos então fico toda empolgada

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  3. Estava aguardando esse segundo capítulo! Muito bom!!

    Beijos,
    http://meumundoecolorido.blogspot.com.br/

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  4. Adorei, quero ver mais contos como esses por aqui.. Nossa William é personagem bem questionador hhaha

    Curta:
    http://www.facebook.com/pages/BLOG-Angel-Poubel/593476004003339?ref=hl

    Big bj ;*
    http://angelpoubel.blogspot.com.br

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